Amante Egocêntrico
O poente descia. Falavas, só falavas…
Até mais além do orbe etéreo das estrelas
E eu inda ouvia os arabescos que alçavas
E via mais mil juras em palavras sem retê-las
Cinismo: sorria – Palavras, só palavras!
Posto que as mãos não acompanham tua boca
E tocam outra – a da cova que cavavas
Nesse espelho, voz de uma existência oca
Traiu-me o teu reflexo! Se sois sóis, que soem
Então os cinzas, toda a névoa, que ecoem
Neste nublado hoje efêmero e ateu!
E que, amanhã, a tua voz que não abrigo
Olhe à frente, um que além do próprio umbigo
E mantenha em mente o monossílabo: Eu…