(via johnny-cupcake)
Aos pés de uma ruína fala o abismo,
Estrelas vivem quando o abismo fala.
Prédios de carros mortos no infinito
Cadeiras murchas no medir da sala,
Assim são eles, como o beijo dito
Dedões inchados decorrendo as costas
Abismo por abismo até que o grito
Se torne a dor das flores quando postas
Num jarro morto de outro abismo aberto.
Descendo a escada de outro alguém decerto
O mesmo rosto aos pés de uma ruína
Falava deles sem abrir os olhos
(Talvez piscasse) resolvendo a sina
De estrelas vivas calculando escolhos
“Oh céus” elas diziam sem imagem
Quebrando os pratos de outra imagem fina
À sombra de um “x” chato e sobre a margem
Dos números desnúmeros sem fins.
Tiraram deste cálculo um par de rins,
Não era o órgão necessário quando
Queimaram seu retrato, assim são eles
Com todos os retratos lacrimando
São homens loucos decompondo as peles
Em bocas depenadas se deitando
Ao túmulo e a mortalha resultante
Daquela pedra se autocalculando
Por lápide em cadência deste instante.
Por sobre o meu retrato passa um bando
De pássaros num verbo-pedra e morto.
Aos pés de uma ruína fala o abismo.
João Antônio Marra Signoreli
(Source: therightfrequency)
O poente descia. Falavas, só falavas…
Até mais além do orbe etéreo das estrelas
E eu inda ouvia os arabescos que alçavas
E via mais mil juras em palavras sem retê-las
Cinismo: sorria – Palavras, só palavras!
Posto que as mãos não acompanham tua boca
E tocam outra – a da cova que cavavas
Nesse espelho, voz de uma existência oca
Traiu-me o teu reflexo! Se sois sóis, que soem
Então os cinzas, toda a névoa, que ecoem
Neste nublado hoje efêmero e ateu!
E que, amanhã, a tua voz que não abrigo
Olhe à frente, um que além do próprio umbigo
E mantenha em mente o monossílabo: Eu…
Melhor é foder primeiro, e então banhar.
Esperas que, curva, sobre o balde se ajeite
O traseiro nu miras com deleite
E tocas-lhe entre as coxas a reinar.
Mantém-na em posição, mas logo após
Assento no piço lhe seja permitido
Se duche quiser na cona, invertido.
Depois, claro, seguindo nossos avós,
Serve ela no banho. As pedras põe a apitar
Com bátega rápida (que a água ferva)
Com tenra bétula te açoita e corado
Em balsâmico vapor mais esquentado
A pouco e pouco te deixas refrescar
Suando agora a fodança em caterva.
Bertolt Brecht
És mesmo um raro cristal
Luzindo-me a alma breada,
Um prisma através do qual
Te vejo a luz dispersada.
Mil cores rompem fluentes
Da tez mais nívea já vista.
Meu ser de angústias ferventes
Se esfria apenas te avista;
E se embriaga, sem cura,
Jogando-se em outros planos,
Onde a verdade é mais pura
E os bons dias duram anos.
No sereno alvorecer
Deste dia mais fecundo
É possível, sim, rever
Com outros olhos o mundo,
Como o vejo no momento,
Tão pequeno e grandioso…
Somente tu, a meu alento,
Cabes no verso pomposo.
Mas que difuso painel,
Este que vai-me brotando…
Por que à noite cai o céu,
Mistério se tranformando?
Translúcido, teu olhar
Transmite ares de neblina:
Além não posso enxergar,
Mas como a mente imagina!
De mais nada necessito
Do que a vaga sugestão
De nosso amoroso rito,
Vago, entanto em combustão!
Vês que sou um sonhador?
Então me leva ao teu templo,
Dá-me um ópio sanador,
Enquanto eu só te contemplo.
Então, como eu haveria
De o teu âmago sentir,
Deixando a vã poesia,
E assim melhor me exprimir!
“Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu”
Por que estou fazendo isso? Porque quero saber os nomes e funções de todas as belas estruturas que passei anos violando? Porque não mereço mantê-las anônimas. Quero a dor de conhecê-la e, por extensão, me conhecer: Quem e o quê eu sou de verdade, Talvez com um bisturi vermelho, quente e esterilizado com lágrimas eu consiga começar a arrancar a podridão de dentro de mim. (R - Warm Bodies, page 153 second paragraph)
A minha alma renovada,
o meu coração tão limpo.
Um atalho para o nosso paraíso,
E o nosso dia triste perdido no ar…
Esbanjamos sorrisos a quem não os consegue ter.
A morte do sol, a nossa vida.
As barras do nosso cais
E as pedras perfeitas que somos nós,
Por debaixo deste mar bruto que é a vida…
Tantas coisas mais que somos.
As nossas Almas voam Hoje!
Cantem comigo, todos aqueles que trajam de negro.
Sintam o nosso eterno deserto…

“When I put a spike into my vein, then I tell you things aren’t quite the same…”

Olhos suaves, que em suaves dias
Vi nos meus tantas vezes empregados;
Vista, que sobra esta alma despedias
Deleitosos farpões, no céu forjados:
Santuários de amor, luzes sombrias,
Olhos, olhos da cor de meus cuidados,
Que podeis inflamar as pedras frias,
Animar cadáveres mirrados:
Troquei-vos pelos ventos, pelos mares,
Cuja verde arrogância as nuvens toca,
Cuja hrrísona voz perturba os ares:
Troquei-vos pelo mal, que me sufoca;
Troquei-vos pelos ais, pelos pesares:
Oh câmbio triste! oh deplorável troca!